Arrumar Argentina exige sacrifícios, diz governo Milei no Dia do Trabalho

Enquanto centrais sindicais se concentravam em Buenos Aires para uma marcha nesta quarta-feira (1º), Dia do Trabalho, contra as políticas econômicas do presidente Javier Milei, o governo do ultraliberal afirmou que "arrumar a nação exige sacrifícios".

O material divulgado em vídeo nas redes sociais não menciona quais seriam essas dificuldades, mas os indicadores dão sinais dos esforços.

O poder de compra despencou, as contas aumentaram por causa do fim de subsídios, assim como os aluguéis, e os salários não acompanham a inflação, ainda que esse indicador venha diminuindo.

"Hoje começa a reconstrução da Argentina", diz o vídeo. O Dia do Trabalho no país foi antecedido pela aprovação na Câmara dos Deputados da Lei Ônibus, o pacotão de medidas econômicas pleiteadas pelo governo que impõe uma pequena reforma trabalhista, muda o regime de aposentadorias e abre espaço para privatizações.

"Quem é do bem e quem é do mal? Aquele que fala em direitos que não exigem ou aqueles que queremos tirar as pessoas da miséria?", segue a narração do vídeo da Casa Rosada.

"Esse momento histórico não é para qualquer um, é para patriotas que estão abertos a arriscar tudo pela nação. Arrumar esse país exige sacrifícios", conclui.

Enquanto isso, sindicatos e outros movimentos organizados se reuniam para uma marcha na avenida Paseo Colón, uma das artérias de Buenos Aires, para protestar com o mote "a pátria não se vende", referência à agenda colocada em prática por Milei.

O tamanho da mobilização era reduzido se comparado com o volume de pessoas observado no protesto em defesa de mais orçamento para as universidades públicas argentinas realizado na semana passada e que aglutinou mesmo setores não organizados da sociedade.

Também havia dissidência entre os manifestantes. Os grupos mais radicais à esquerda alegam que a CGT, a Confederação Geral do Trabalho, tem sido demasiadamente tímida nos protestos contra a administração da Casa Rosada. O grupo realizou uma paralisação em janeiro deste ano e tem mais uma convocada para o próximo dia 9.

A CGT foi um dos grupos que negociaram ao longo dos últimos meses para tentar aplacar as medidas que o governo planejava introduzir no calhamaço da Lei Ônibus, como a reforma trabalhista ambiciosa que Milei buscou colocar em marcha e viu barrada pela Justiça.

Na versão reduzida aprovada por uma maioria de deputados nesta terça-feira (30) após mais de 20 horas de debates ininterruptos, ainda há mudanças importantes para o mercado de trabalho.

Em linhas gerais, o capítulo sobre o tema permite que o período de experiência dos trabalhadores, antes de três meses, seja de seis meses, com possibilidade de chegar a um ano; livra de punições empregadores que não registraram seus funcionários; e cria um fundo de demissão, com aporte mensal durante a relação trabalhista.

Há ainda mudanças na Previdência. O possível fim de uma moratória previdenciária que estava em vigor anularia a possibilidade de que alguns trabalhadores, em especial mulheres, se aposentassem mesmo sem ter contribuído por 30 anos no mercado formal de trabalho.

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