Tive burnout como camgirl e aprendi a viver com minha personagem

Laís Souza é camgirl há cerca de cinco anos, após começar a vender fotos sensuais pelo Instagram - Arquivo Pessoal

Maurício Dehò

De Universa, em São Paulo

A história de Laís vem de antes do OnlyFans surgir com promessas de verter rios de dinheiro para os "criadores de conteúdo" - que depois se veria que seria quase sempre adulto. Com um gosto para autorretratos artísticos e nudes conceituais, ela usou o seu próprio Instagram para vender fotos.

Há cinco anos, a estudante universitária cursava psicologia, mas não conseguia ganhar para trabalhar na área. Em paralelo, tirava suas fotos. "Eu achava bonito, artístico e aí tive a ideia de criar um perfil no Instagram pra postar. Eu não esperava, mas começou uma galera a me seguir e falar: 'Nossa, você tem talento, faz um curso de fotografia', ou 'Nossa, por que você não vende isso?'", contou Laís, a 💥️Universa.

Aproveitando-se de uma fase menos "chata" da rede social, em que suas fotos não derrubavam o perfil, ela montou um esquema semanal de conteúdo: selecionava cerca de 10 pessoas, quase como um "melhores amigos", e produzia material exclusivo, já mais explícito.

A cada semana, o grupo ia mudando. Começando com "assinaturas" a partir de R$ 50, logo ela tirava R$ 1 mil por mês, o que em meses melhores chegava a R$ 3 mil.

E agora? Surge Lorie

Laís não tinha constância no trabalho e via que precisava dar um próximo passo para se profissionalizar. À época, pouco se falava sobre o que é ser uma camgirl, atuando em vídeo, ao vivo, diretamente com os clientes, e ela se arriscou sozinha, contando apenas com vídeos de outras garotas que comentavam suas experiências no YouTube. Coincidiu ainda o fato de ela ter o Instagram derrubado e precisar se mexer para salvar o ganha-pão.

Apoiada por um namorado da época, ela apostou no Câmera Privê como plataforma. Um passo inicial foi construir uma "personagem" para atuar na frente da câmera, ao vivo, o que já era uma grande novidade em relação ao que ela produzia "on demand".

laís - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal

"Eu me pegava o tempo inteiro pensando: 'Nossa, será que eu estou só me divertindo e ganhando? Será que isso um trabalho? Será que as pessoas consideram isso um trabalho?' Então, eu estava sempre me julgando também", conta ela.

Do autojulgamento ao burn out

O limite entre ganhar dinheiro e se sentir realizada e com tesão à frente da câmera pode ser tênue. "Eu encarei assim quando: 'Este é meu trabalho e como ganho meu dinheiro, então, vou fazer o que me pedirem'. Nunca fui de fazer coisas absurdas, mas meu prazer não era o objetivo".

Nestes casos, vestir um personagem ajudou a maquiar os incômodos. Até que o preço foi cobrado.

"Foi um processo de burnout e, aos poucos, fui perdendo completamente o tesão de me arrumar, ficar gata e logar pra conversar. Fui ficando de saco cheio mesmo. Muita gente sem educação, muita gente que passa completamente do limite com você. Sem nem estar te pagando", conta ela, explicando que parte da interação com os clientes do site é grátis - brindes e papos exclusivos são pagos à parte.

laís - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal

Eu fui colocando coisas da Laís para a Lorie. Antes, não tinha muito essa relação, era uma coisa muito longe. Eu separei muito ela, porque a Lorie era só a putaria. E eu fiz essa junção. Por que a Lorie sou eu. Eu preciso me sentir bem dentro dela. Hoje o diálogo é o ponto forte do meu chat, agora. A conversa, a troca. Seja ela sexual, que agora não é mais tanto, ou na forma de companhia, de acolhimento. Aprendi que cliente não procura um peito, uma bunda: ele procura uma emoção.

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