Ele tem cefaleia em salvas: Achei que veia da minha cabeça fosse explodir VivaBem

Ele tem cefaleia em salvas: 'Achei que veia da minha cabeça fosse explodir' Arquivo pessoal

Renata Turbiani

Colaboração para VivaBem

06/08/2023 04h00

Um ou dois anos mais tarde, estava dirigindo na estrada quando tive novamente uma dor de cabeça muito intensa. Precisei parar o carro no acostamento e fiquei lá um tempo até melhorar.

Na época, não associei o que aconteceu anteriormente, achei que eram casos isolados.

Só que, a partir daí, comecei a ter crises com mais frequência. Elas aconteciam quase sempre na mesma época do ano. Tinha de dois a três episódios de dor por dia durante 30 a 40 dias, mais ou menos.

💥️E a dor de cabeça, além de ser alucinante, era acompanhada de lacrimejamento em um dos olhos e nariz escorrendo.

Procurei neurologistas e até oftalmologistas, otorrinolaringologistas e dentistas, e tive diversos diagnósticos: tumor no cérebro, sinusite, enxaqueca, doença no fígado, inflamação nos dentes...

Cada médico me passava um tratamento diferente, eu fazia e achava que adiantava. Mas, no ano seguinte, quando as dores recomeçavam, eu tentava a mesma coisa e, dessa vez, não funcionava.

Também fui várias vezes ao pronto-socorro e, em algumas delas, demoravam tanto para me atender que, quando chegava a minha vez, a dor até já tinha passado. Em outras, era atendido rapidamente, mas os medicamentos que me davam, mesmo sendo fortíssimos, não faziam efeito.

Passei anos da minha vida dessa forma: procurando especialistas variados, recebendo diagnósticos errados e tratando de forma incorreta. No fim das contas, não sabia o que tinha e, quando você sente uma dor como essa e não sabe a causa, isso gera um sofrimento gigantesco, mexe com o emocional.

💥️Tinha certeza de que era uma doença grave. Acreditava que iria morrer ou ficar com sequelas porque a veia da minha cabeça iria explodir. As crises que tenho são horríveis, uma coisa bem feia de se ver. Como a dor é excruciante, na hora, eu fico muito agitado. Já cheguei a me machucar por causa disso.

E, antigamente, tudo ficava ainda mais difícil porque as pessoas não me levavam muito a sério. Muita gente achava que eu estava fingindo ou que a dor não era tão forte quanto eu relatava. Comecei a me isolar, quase não saía socialmente e guardei o problema para mim, nem com a minha família eu dividia. Acabei desenvolvendo depressão e ansiedade.

💥️Foram quase 15 anos até o diagnóstico

Foi só no ano 2000, quando eu já tinha 30 anos, que finalmente descobri o que acontecia comigo. Eu estava assistindo a um programa de televisão e um médico começou a falar sobre dores de cabeça. Ao final, ele disse que havia um tipo, chamada cefaleia em salvas, que causava uma dor muito forte em apenas um dos lados da cabeça, durava algumas horas, o olho lacrimejava e o nariz escorria, justamente os meus sintomas.

Na hora em que escutei aquilo fiquei paralisado, chocado. No dia seguinte, acordei cedo e saí do interior de São Paulo, onde morava na época, e vim para a capital para ir a uma livraria. Comprei todos os livros que achei sobre o assunto para entender melhor.

Depois, fui atrás de um médico especialista para confirmar o diagnóstico e fazer o tratamento certo.

Otávio Augusto de Oliveira Franco 1 - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal Mulher com dor de cabeça, enxaqueca, cefaleia - Getty Images - Getty Images

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